Neste blog eu vou falar de tudo um pouco,sejam bem-vindos!!! Meu humor atual - i*Eu


























 
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Sou um jovem idealista, espírita, estudante de História, amante do Ciclismo, amante da vida. Gosto de muitas coisas diferetes, e de todas elas com paixão. Como diz a Letícia, “Quando você gosta de alguma coisa você não gosta, você GOSTA.” É isso. Plagiando um pouco a Joane: Assuntos favoritos: História, Arqueologia, Literatura, Poesia, Música, Artes Plásticas e Cênicas, Biologia, Física, Astronomia, Antropologia, Ciclismo, Cultura francesa, Cultura celta, e muitas coisas mais... Música: Clássica, Celta, Chinesa, Árabe, Chanson Française, etc Filmes: preferencialmente europeus ou asiáticos, as também gosto de coisas mais americanas, apesar de ser bem mais esquecível. Desenhos Animados: Rugrats, Thornberrys, Bob Esponja, Doug, gostava muito(e ainda gosto um pouco) dos desenhos do Batman e do Batman do Futuro Literatura: Victor Hugo, Victor Hugo, Eça de Queiroz, Maurice Leblanc, Conan Doyle, Molière, Léon Dénis, Gabriel Delanne, tudo de Literatura Medieval(exceto fabliaux)... Quadrinhos: Tintin, Astérix, Rurouni Kenshin, Tio Patinhas, Shaman King, X, LeFranc Esportes: Ciclismo Comidas: Quiche, Kassler, Yakissoba, Pizza, “Brasileirinho” Hobbys: Coleções(etnográfica, moedas, história familiar, chaveiros, caixas de fósforo exóticas, minerais, conchas), Ciclismo, Desenhar, Escrever, Sonhar Qualidades: Sincero, Inteligente, Sensível, Amigo, Carinhoso, Bem-humorado, Discreto Defeitos: Vaidoso, Impulsivo, Gosto de discutir, Teimoso, Desorganizado, Indisciplinado



























Tir na n`OG
 
Comments: Terça-feira, Setembro 26, 2006  
Ma vie est belle, quoi dire davantage?
11:05 AM

Comments: Domingo, Junho 18, 2006  
Jan Ullrich vainqueur;
Thomas Voeckler vainqueur;
Ma petite amie m`aime follement;
Peut-il être plus grand bonheur????

10:11 PM

Comments: Segunda-feira, Junho 05, 2006  
In my life,
I`ve never seen,
Such a girl,
Such a dream
She is wonderful,
She makes me happy,
She is a shiny star in my life

9:02 PM

Comments: Sexta-feira, Março 03, 2006  
Tombeau
Renaissance
Vie
Éternel

11:27 PM

Comments: Terça-feira, Novembro 01, 2005  

6:58 PM

Comments: Quarta-feira, Maio 18, 2005  

Weltentsauberung e a Política - Parte 4



Um dos domínios a que Weber se referiu mais claramente ao pensar o conceito de Weltentsauberung foi a Política. Na época em que viveu Weber, consolidava-se aquilo a que ele chamou de "Estado Burocrático", basicamente a forma de Estado que temos hoje. Embora tenhamos em geral uma idéia bastante restrita, da burocracia enquanto papelada e protocolos oficiais, na verdade, ela significa um conceito muito mais amplo.
Uma burocracia é, na verdade, um sistema que coordene e preveja processos destinados a dar conta das funções de um Estado ou instituição qualquer. Naturalmente, isso significa também papeladas e protocolos.
Nesse sentido, nosso Estado controla, ou pelo menos procura controlar, uma série de coisas de modo rigoroso e preciso. Para tanto, todos nós temos nossas certidões de nascimento, carteira de identidade, documentação escolar, CPF, etc. Um indivíduo só tem existência efetiva ou legal para o Estado estando devidamente documentado e "numerado". Nossa vida é regida por números e códigos que nos enquadram dentro da burocracia estatal, caso contrário estaremos sumariamente a margem de todas as garantias e benefícios do Estado.
No entanto, de um modo mais amplo, o que esse Estado burocrático faz é coordenar uma série de princípios que regem sua vida enquanto representação da coletividade. As eleições, por exemplo, são realizadas em períodos claramente normatizados e especificados, há uma série de atitudes e requisitos a que se deve acatar e que devem ser cumpridos, aspectos esses rigorosamente previstos, e até certo ponto inflexíveis.
Ao mesmo tempo, tudo dentro do Estado passa a ser regido pela burocracia; as relações pessoais são banidas, pelo menos oficialmente.
De um certo modo, mais uma vez isso leva àquele estado de previsibilidade tão temido por Weber. Anteriormente, no Estado aristocrático, imperavam as relações pessoais, de um modo bastante claro. As próprias tentativas de mudança eram tomadas dentro desse padrão, numa revolução, por exemplo, ou uma fronda, enfim.
Dentro do Estado burocrático, existe uma série de canais próprios a conduzir a ação política: constituindo-se partidos, etc. No entanto, tudo isso acaba se tornando engessante, e levando à criação de uma rotina previsível para que essa ação se dê.
Dentro da burocracia, reina a impersonalidade; todas as medidas devem obedecer a determinadas exigências legais. Qualquer projeto ou idealização para se ver efetivado, precisa passar por essas ditas vias legais, enquadrando-se a elas. Se de algum modo elas não se encaixam no perfil do que se espera de um projeto, tudo torna-se mais complexo, e por vezes impossível. Muitas vezes, criador da burocracia, o homem se vê agrilhoado a ela.
A possibilidade de ação acaba ficando atrelada a uma série de padrões pré-estabelecidos, normatizados e previstos. Tudo que escape a isso torna-se impossível, ou pelo menos extremamente difícil a curto prazo.
Essa é mais uma das facetas desse Weltentsauberung.

9:04 PM

Comments: Domingo, Abril 24, 2005  

Weltentsauberung e a Mídia - Parte 3



Um terreno onde a idéia de Weltentsauberung se apresenta de forma significativa na atualidade é, sem, sombra de dúvida, a mídia, de um modo bastante amplo.
Talvez se deva, em grande parte, à incorporação da cultura ao domínio da indústria, como já sinalizavam Adorno e Horkheimer, nos idos de 1940. A dita "indústria cultural" extende seus tentáculos por toda parte: mercado editorial, cinema, indústria fonográfica, etc.
Obviamente, os investidores esperam ter lucro e um retorno compensador, muito mais do que a superação artística, tendo preocupações estéticas mínimas. O artista, nesse esquema, a mais das vezes se torna apenas um empregado da indústria, mão de obra destinada a produzir uma mercadoria de boa vendagem, se possível em escala industrial. A especialização da mão-de-obra artística leva a uma tendência homogeneizante brutal. A produção de uma mísera história-em-quadrinhos é tão fragmentada na mão de uma série de artistas contratados que qualquer laivo de direcionamento autoral tende a se apagar. Existe uma estética do estúdio, à qual os artistas se submetem. Ocasionalmente nesse mar se elevam alguns peixes realmente bons que, apesar de tudo, conseguem se impor, como um Alex Ross, com suas maravilhosas HQs a óleo, ou um Carl Barks, excepcional contador de histórias, que, diga-se de passagem, produzia suas obras do roteiro à arte-final sozinho. Há que se lembrar que na Europa existe uma produção bastante autoral em determinadas áreas do mercado artístico.
De um modo geral, como dizia Andy Worhol, papa da pop art, ele dava ao público aquilo a que já estava acostumado. É essa a lógica da indústria cultural, repetir ad eternum uma fórmula bem-sucedida, a que as pessoas já estão acostumadas e querem consumir mais. Evidentemente, isso se torna repetitivo, e bastante limitador para as pessoas, de um modo geral.

9:41 PM

Comments: Sexta-feira, Março 25, 2005  

Weltentsauberung e a Moda - Parte 2



Talvez a Moda seja um dos aspectos de nossa sociedade onde se vê com mais clareza a presença desse "Weltentsauberung", de um modo palpável e visível.
Afinal, hoje em dia as pessoas se vestem de um modo igual, repetitivo e acrítico. A diversidade e a variedade, na moda atual, são palavras vazias. Afinal, se sai a moda da faixinha na cabeça, lá vai o rebanho todo com a faixinha na cabeça. Se a moda é andar com a calça baixa, mostrando a cueca, lá vai a ovelhada, idem ibidem. Enfim, as pessoas, ao invés de desenvolverem um gosto próprio, de se vestirem com roupas que lhes agradem, se vestem de um modo impessoal. Pior, há tão pouca firmeza em seus gostos que aquilo que lhes parece ridículo num verão será o máximo no próximo, para novamente ser risível no seguinte.
Tão grave quanto é que, no afã de se adequarem ao padrão, as pessoas se expõem a ridículos. Se a moda é algo que fica ridículo em pessoas gordas, mesmo assim, as pessoas se vestem segundo o padrão. Se é algo que vai mal aos magros, lá se vão os magros parecer uma vareta. E por aí vai. O padrão único deve ser usado, mesmo que seja a coisa mais anti-estética do universo.
Do mesmo modo, há grupos alternativos que adotam uma uniformização tão cruel quanto os outros. O grupo em que todos se vestem de preto, o grupo onde todos usam piercing, o grupo onde todos usam roupas multicoloridas. No fim, seis trocado por meia dúzia!
Não há espaço para a variedade. Ou melhor, as coisas até variam, mas todos variam juntos, então na prática, continuam todos sempre vestidos iguais. E, convenhamos: é muito chato sair na rua e ver todo mundo vestido igual. Não seria muito melhor se a gente pudesse passear e ir vendo pessoas vestidas de modo bastante diferente, criativo e original, entre umas e outras?
Ver todo mundo igual tira um pouco do encanto...

Próximo post- Weltentsauberung e a Mídia

10:31 PM

Comments: Terça-feira, Março 15, 2005  

Nós e o Weltentsauberung - Parte 1



O que é Weltentsauberung? Traduzindo grosseiramente do Alemão significa "Desencantamento do Mundo"(Welt=Mundo Ent=Sem Sauber=Magia -ung=partícula de verbo equivalente ao -ing do Inglês).
Esse termo foi criado no século XIX por Weber, alemão considerado um dos pais da moderna Sociologia. Mas o que significa?
Weber, em sua época, percebia que o mundo se "desencantava", com o avanço da Ciência, da Indústria, e de novos modelos de organização políticos e sociais, intimamente ligados entre si. Segundo Weber, a Ciência acabava com a magia por desmistificar as coisas. Não havia mais espaço para os duendes, fadas, crendices religiosas, etc, desalojados pelas explicações da Química, da Física e outras disciplinas, explicando o mundo sob um novo modelo, tornando a vida e a natureza previsíveis e insípidas. Do mesmo modo, a Industrialização e os novos modelos sociais, políticos e legais, e suas conseqüências na convivência humana e nos padrões de conduta, tornariam a vida mais previsível, e os gestos dos homens mais padronizados, uma ética ao mesmo tempo protetora e engessante, eficiente e inflexível(além de insensível).
Será isso verdade? O que vocês acham?

Próximo post: "O Weltentsauberung e a Moda"

9:02 PM

Comments: Quarta-feira, Março 02, 2005  

Sorrow



Passeio por meus sentimentos confusos,
Sem saber por onde olhar.
Por que as lágrimas se misturam aos meus sorrisos?
Por que meu coração bate tão confuso, sem saber pra onde ir?
Por que minha voz se cala, muda, em meu peito?
Por que sai de dentro dele afoita, nas horas em que menos desejo?
Por que não sei dizer o que mais gostaria de expor?
Por que me falta coragem, quando me sobram as palavras?
Por que aquele que sempre tudo disse, agora se cala?

Não sei dizer...

8:40 PM

Comments: Quarta-feira, Fevereiro 23, 2005  
Graal
Arte feita no Paint.

5:23 PM

Comments: Quinta-feira, Fevereiro 17, 2005  

O prisioneiro de Brocéliande


Idílio



Na Floresta de Brocéliande,
Nem muito perto do mar,
Nem muito perto das montanhas,
Num estranho círculo mágico
Estão Merlin, o mago,
E a fada Viviana

Há muitos anos aí vivem,
Serenos, calmos e impassíveis,
A seu refúgio nunca chegam,
Clamores de guerra
Ou canções de paz

Todo o mundo está fora desse maravilhoso círculo,
Nada por ele passa,
E quem está dentro não quer sair.

Dentro dele não há trigo,
Carne, vinho ou pão,
A água também não abunda,

E um eterno sono ali reina

Como pôde Merlin, o mago, aí ficar?
Que misterioso poder o prende a esse círculo impenetrável?
Que poderosas barreiras se erguem entre as árvores da floresta?

Prisioneiro está, de Viviana, a bela,
Embora muito mais poderoso seja.
Estaria ele embriagado?

Sim, embriagado de amor.

Nem sede,
Nem fome,
Nem dor,
Nem cansaço
O atingem...

Pois seus olhos se alimentam de Viviana,
Sua sede se aplaca com sua doce voz,
Suas dores se curam sob suas delicadas mãos,
E seu cansaço se esvai no tépido calor de seu corpo...

Nada mais existe, além de Viviana

As horas passam em doce idílio,
Os dias, os meses e os anos,
Sem que se perceba a diferença

Pode o mundo lá fora desmoronar pedra a pedra,
Tempestades sem fim varrerem Camelot,
Para eles nada importa
Ingenuamente, têm um ao outro

Existe um feitiço, sim,
O doce filtro que escorre dos lábios de Viviana,
O doce olhar que se evola de seu rosto,
E a doce voz que, penetrando os ouvidos de Merlin, vai direto ao seu coração

17 de fevereiro de 2005

5:19 PM

Comments: Quarta-feira, Fevereiro 02, 2005  

Carta a meus amigos



Queridos amigos de juventude,
Ante nossos olhos descortina-se o amplo horizonte da vida

Recém saídos da pradaria alegre da infância,
Com seus jogos alegres no relvado,
E o tépido ar que nos acalentava,
Nossos olhos contemplam a imensidão
E as sendas abertas à nossa frente

Podemos navegar o calmo rio da mediocridade,
Em sua morna cadência,
Comendo os frutos que caem à margem,
Até que o rio vire corredeira e nos precipite no abismo negro da desilusão

Podemos escolher a caminhada
Pelas terras tórridas do egoísmo,
Buscando as migalhas escondidas sob as pedras,
Crendo-nos ingenuamente depositários de valioso tesouro

Há ainda o desesperado Vale da Glória,
Onde nos pelejaremos até a última gota de sangue
Contra outros tolos como nós,
Embriagados com o louro insano,
Que logo fenece na mão que o obtém

Há ainda as escuras florestas da tristeza,
Onde se internam os que desistiram de ver o Sol

E há também o caminho da procura,
De longe o mais difícil,
Mas o mais gratificante,
Escondido no topo de alta montanha

Há que se escolher uma estrela,
Um guia fiel para um destino alcançar

Que enchamos também um cantil
Nas fontes de longa vida,
Sejam elas do Evangelho, do Dharma, do Alcorão ou do Talmud,
Sejam elas quais forem,
Pois vêm todas de um só lençol

Que iniciemos a caminhada,
Atravessando distâncias sem fim
Desertos terríveis,
Rios furiosos ou
Vaus sangrentos,
Florestas sombrias
Ou pântanos pestilentos

Enfrentemos a chuva da malícia
E os ventos do desânimo
Vençamos a neve da tristeza
E a lama pútrida das distrações

Que o Sol do imediatismo não nos seque
E que a semente da intriga não ecloda em nossos corações

E em cada dia, quando as dores forem agudas
E os males dilacerantes,
Olhemos calmamente para as nuvens brancas que singram o céu azul,
Ou as estrelas que ornam o veludo negro da noite,
Ou para o fundo de nossos olhos amigos,
E lembremos que ainda existe a alegria

Que cada um procure seus talentos,
E que eles guiem os nossos destinos
Que nossos talentos se ajudem e não se percam no caminho

Vamos juntos escalar as montanhas,
De mãos dadas espalhando
Pétalas de flores e sementes sem fim

E na escalada as mãos se ajudem,
E eu conto com a sua mão,
E você pode contar com a minha

E juntos, pouco a pouco,
Rocha a rocha,
Passo a passo,
Chegaremos todos
Aos distantes cumes dourados

E então, em plena alegria,
Contemplaremos resplendente
O crepúsculo que cai sobre nossas vidas...

31 de janeiro de 2005


9:00 PM

Comments: Domingo, Janeiro 30, 2005  

O Monstro



"Amo o sapo e a coruja, porque ninguém os ama."
Victor Hugo

Jungfried nasceu
Criança medonha,
De aparência terrível

Rosto em chagas,
Deformado,
Sua boca em desordem
Parecia transtornada caverna,
Com estalactites pontudas
E estalagmites afiadas

Como pequeno monstro,
Assassino da mãe,
Ladrão da vida e da beleza,
Desde bebê foi tratado,

Fruto podre,
Nascido da pura flor

Claudicante e semi-muda,
A criança crescia,
Aprendendo a dura lição dos paus e das pedras dos outros meninos

Entre o infeliz e o fundo do rio, pouco mais havia
Senão a tênue barreira religiosa,
Algema diariamente maldita por seu pai

Jungfried encontrava sempre o riso escarninho,
Às vezes pena,
Jamais amor

Mas como as primaveras trazem novas flores,
Os anos trazem novas núpcias,
E Jungfried ganhou uma madrasta

O pequeno esquecido,
Mais esquecido ainda ficou;
Seu pai só tinha olhos para a nova flor em seu jardim

Dentro em pouco,
Um pequeno anjo veio
Ao pequeno demônio acompanhar

Weltmund se chamava
O pequeno louro de olhos azuis
Gracioso e engraçadinho,
Demandando atenção

Com que ternura pressurosa
Seus primeiros passos acompanhados foram
Pela mamãe e o papai!

Como era engraçado ver os sustos e a violência diante da feiúra do irmão,
As reações amedrontadas da borboleta agredindo a barata

Mas os tempos eram difíceis,
A colheita não muito boa,
E uma mãe com a cria ameaçada
Torna-se verdadeira leoa

Weltmund precisava de boa comida;
Weltmund precisava de belos brinquedos;
Weltmund precisava se vestir como pequeno príncipe, pequeno anjo que era

E havia uma mina de ouro em casa,
De ouro chagado deformado e disforme,
Havia um andar claudicante e
Um falar balbuciante,
Vendidos mais caro que os mais belos versos

Paga-se bem para ver sofrimento

Arrojado às feiras,
O monstrinho de oito anos
Atraía um misto de curiosidade, risos, piedade e dinheiro,
Criatura de pesadelos oferecendo meia hora de espanto e diversão

Em seus andrajos ensangüentados,
Jungfried pagava as sedas de Weltmund,
Que do alto da prepotência de seus seis anos,
Sob o riso alegre dos pais,
Agredia raivoso o pequeno escravo
Que ousara tocar em seus brinquedos

Weltmund crescia:
Em beleza,
Força,
Astúcia
E carisma

Aos treze anos,
Era noivo da filha
De um pequeno comerciante de vinhos,
Bem estabelecido com algumas posses

Era também agora o administrador da fortuna familiar,
E nisso ainda mais hábil que o pai

Suas piadas cruéis
Traziam renovado interesse,
E sua presença no palco
Era o tempero certo,
Entre a doçura da beleza
E o amargor da feiúra,
Num espetáculo agridoce

Jungfried,
Exposto,
Ferido,
Humilhado
E indefeso,
Só sofria, calado e triste

Sua vida se resumia
A uma lágrima muda, no canto do olho,
E a um pão ressequido, num canto da casa

Suas únicas amigas eram as flores,
A única beleza gue não lhe fugia,
E as estrelas, olhos distantes de mundos sem nome

Certo dia,
Em Essendorf,
Uma grande multidão se reunia,
Sob os auspícios do Arquiduque Königswin,
Nos festejos da Páscoa,
A monstruosa criatura vinha a sua cidade

A numerosa audiência assistia,
Escandalizada e alegre,
Contente do frêmito assustadiço que lhe subia a espinha,
Entre o medo e o prazer indizível que dele vem

Weltmund se superava
Em crueldade,
E sua língua afiada
Cortava profundamente a alma de seu irmão,
E o coração do pobre, lacerado, sangrava em lágrimas

Menos que homem,
Menos que animal,
Menos que demônio,
Jungfried se sentia indigno da vida,
Punido e danado,
Uma piada cruel da natureza

Sob gritos e risadas,
Só ouvia um grito,
Unívoco,
Onipresente,
Altissonante,
Que lhe penetrava a alma,
Que ecoava no recôndito de seu coração,
Como se todo o Universo lhe gritasse:
Monstro!
Monstro!
Monstro!
Monstro!

Nesse instante,
Emergindo das trevas,
Com uma carne faiscante,
De relâmpagos feita,
Apareceu um ser

Suas vestes,
Negras como a mais negra noite,
Cobertas de jóias da mais reluzente prata
Se fundiam com suas negras asas

De sua cintura pendia
Pesada espada,
E em sua cabeça cintilava
Uma vasta cabeleira,
Sobre seus relampejantes olhos

E sua voz trovejante resoou:
"Sou Schwertengeist,
O Anjo;
Monstro, clamais.
É a essa criatura indefesa que vos referis?
A este pobre, que jamais feriu o menor dos seres?
Monstros o sois vós mesmos!
Vós a quem Deus nada negou,
E gue a este pobre negam mesmo a sua dignidade!
Vós, que do alto de vossa duvidosa beleza vos regozijais em torturar a feiúra,
Simplesmente porque teve a ousadia de aparecer diante de vossos pretensiosos olhos!
Vós sois os verdadeiros monstros,
Pois diante de Deus a única monstruosidade é o que fazeis a esse pequeno!
Daqui hoje o levo,
E vos deixo no inferno que é a vida tal qual a fazeis!
Jungfried ainda hoje conhecerá a companhia dos eleitos,
Porque com sua paciência aprendeu a contemplar a beleza que não tinha;
Seus olhos estão prontos para ver o paraíso!"

E em seus braços,
Schwertengeist levou o sorridente Jungfried,
Sob um raio de luz.

E Weltmund, seu pai, sua mãe,
O Duque Königswin continuaram onde,
Por engano e prepotência,
Reinam pranto e ranger de dentes

29 de janeiro de 2005


10:20 PM

Comments: Sábado, Janeiro 15, 2005  

Et Aqua Veritas Erat...



"O erro não se torna verdade por se fundir e multiplicar facilmente. Do mesmo modo a verdade não se torna erro pelo fato de ninguém a ver."
Mohandas Mahatma Ghandi

"Conhcereis a Verdade, e a Verdade vos libertará."
Jesus

I
Arantag de Barnantrog vivia feliz em seu castelo.
Sua fortaleza erguia-se altaneira,
Esplêndido ninho de águia sobre esplêndido rochedo.
Até onde os olhos dominam, sobre florestas, campos e montanhas,
Vilas, lagos, rios e cachoeiras,
Tudo lhe pertencia

Ao comando de sua mão, imediatemente,
Uma plêiade de guerreiros, camponeses,
Artesãos, caçadores e religiosos
Feiticeiros e artistas, poetas e assassinos se movia
Sua voz era como o trovão que a um só roncar transportava multidões à sua vontade.
Arantag era um homem feliz.

Nada empanava sua glória;
Não tinha adversários à vista no horizonte;
Seu nome era temido e respeitado;
Arantag de Barnantrog era um homem feliz.

Nada desafiava sua autoridade;
Sua vontade era indiscutível;
Suas opiniões eram vencedoras;
Arantag era um homem feliz.

II
Um dia, porém, entre as lajes luzidias de seu castelo,
Uma água cristalina surgiu, infiltrando-se do chão.
Fina, suave, quase imperceptível.
Visível a pena.

Mas surgiu

Arantag chamou seus servidores:
"Tragam os mais habilidosos mestres canteiros!
Tragam os mais experientes pedreiros!
Que venham os mais sábios em meus domínios a isso resolver!
Essa água me incomoda! Essa água não pode ficar!"

Seus servidores vieram
Olharam, examinaram e avaliaram.
Entre si se consultaram.

"Parece simples, meu senhor:
Aparentemente, um lençol de pequenas proporções, que se infiltra,
Discretamente."

Em uma semana de trabalho, tudo estava pronto.
Entre as pedras, uma massa de habilidosa receita foi aplicada,
Velho segredo dos mestres na cantaria.

E a água cessou.

III
Por um tempo cessou,
Mas não muito.

E a água voltou, dessa vez, não mais discreta como antes.
Torrente, violenta e impetuosa, surgindo avassaladora
Sempre límpida, a água subia

Arantag não gostava nem um pouco
Sem paciência para os mestres construtores,
Apelou para os camponeses:

"Cubram, cubram, essa água madita!
Tragam terra, muita terra, quanta puderem!
Cubram, sufoquem, esmaguem essa água!"

Os camponeses, afoitos, subiam as rampas do castelo
Traziam sacos e sacos de terra, carros e quanto mais podiam;
Afanosos, iam um a um, trazendo,
E precipitavam sobre a maré pesadas pás de terra.

Um monte se amontoava,
E logo, logo, sossobrava
Diminuía, diminuía,
Como se subtraído sob poderosa voragem.

Ao mesmo tempo impetuosa e tranqüila,
Forte e cristalina,
Impassível, a água tudo levava.

Como se fosse profundo lago,
Ou imenso oceano, logo a terra se perdia

Todos se debruçavam sobre a misteriosa água,
Que, com um brilho cegante e puro,
Parecia uma fossa sem fundo

Alastrava-se, sem pressa
Engolia chão, muros e paredes
Sob seu avanço, todo um mundo desaparecia

Desesperado,
Arantag a tudo via

Aquela insolente água a tudo desafiava,
Todo esforço em vão se dava

A terra se amontoava,
Montanhas altas como Gibraltar,
O Monte Branco ou o Mythem,

O desafio parecia vencido,
A festa estava quase armada,
Mas, quando vitoriosos se criam sobre a água,
Assustadora ela se mainfestava

Impiedosa,
Devorava, e cada monte,
Pouco a pouco,
Poeira se tornava

Em desespero, fúria, angústia e ódio,
O Senhor de Barnantrog vociferava:
"Ainda não basta,
Tragam pedras, árvores e escombros,
Essa fossa vou vencer à força de cadáveres,
Se necessário for!!!"

Já então,
Todos os braços que sua voz podia comandar
Se reuniam sob o misterioso lago que nascia e aumentava

Seus guerreiros, impetuosos,
Contra as montanhas se lançavam
Achas e martelos à mão,
Grossas partes dos rochedos solapando,
E à terrível fenda carregando

Sob os machados dos lenhadores,
Árvore a Árvore sem dó tombava,
Carvalhos e ciprestes milenares,
Oliveiras e pinheiros,
Nenhuma delas Arantag poupava

Nos campos, o trigo, à pressa ceifado,
Em grandes fardos,
A parede rochosa escalava,
Conhecendo a farta sepultura líquida.
Mas, quanto mais se amontoava,
Mais o abismo crescia
O grande buraco brilhante, faminto se alimentava

Em pouco tempo, já todo o castelo estava tomado
Pelas rampas de pedra, vastas cachoeiras se precipitavam
A terra, a toda volta, se encharcava

E a água, não mais serena,
Subia e subia,
Sempre e sempre

"Maldita, maldita fonte!
Que me queres tu, ó três vezes maldita!
Minhas terras todas já estão inundadas!
De onde vens, infernal fonte?
Acaso Satã te conjura para minha desgraça?"

Indagava, em desespero, o poderoso e derrotado monarca,
Do alto de sua impotência arrogante e de sua pretensão desiludida

Mas a água,
Inflexível e surda,
Nada respondia
Apenas,
Subia, subia...

IV
Já pouco ainda se via,
Refletindo sobre a muda água
O silêncio, entre o rugir das cachoeiras,
Reinava

Nessa hora, estranhamente
De sob a terra, das profundezas,
Estrondoso e temível,
Um ruído se erguia

E de repente,
Em milagrosa supresa,
De cima do castelo,
Um grande jato, poderoso,
Intenso, forte e absoluto,
De sobre o rochedo espirrou

Subindo aos céus,
A coluna pura e cristalina,
Reverberava, com toda a força,
As luzes do céu azul

Jorro colossal,
Que a tudo cobria,
Força imensa, inflexível e absurda,
Subia sempre,
A tudo refrescando e limpando sob a sua torrente refrescante

Florestas,
Montes, rochas,
Vilas, campos
Lagos e rios,

Nada mais restava
Sob as águas sepultados,
Daquele inesperado oceano

Apenas a límpida e pura
Superfície brilhava,
Num brilho sem fim,

Tranqüilas, as ondas se moviam,
Sobre aquele mundo que não mais era

E, sobre um vento sereno,
As gaivotas cavalgavam,
Águias, falcões e borboletas,
O negro corvo e a cinza coruja
Todos, sobre suas asas imponentes,
Na água seu reflexo atônito admiravam

E a Calma, a Paz,
Felicidade, Ordem e Harmonia reinavam,
Sobre o espelho, que puro e tranqüilo,
Sobre a terra, imitava o céu...

10:50 PM

 
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